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ED 009

O sitemap que o ChatGPT lê fica no painel da Microsoft

A busca do ChatGPT se apoia no índice do Bing, e a maior parte dos sites brasileiros nunca abriu conta no painel que alimenta esse índice.

Mesa de escritório vazia ao amanhecer com um mapa dobrado aberto ao lado de um teclado, sem pessoas

O mapa do site entregue ao índice certo

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O responsável de marketing de uma fabricante de esquadrias de alumínio em Cachoeirinha passou três meses convencido de que o site da empresa estava invisível para a inteligência artificial por alguma falha técnica cabeluda. Ele tinha motivo para achar. Perguntava ao assistente qual fabricante de esquadrias atendia a região metropolitana de Porto Alegre e recebia sempre os mesmos quatro nomes, nenhum deles o dele.

O site carregava rápido, tinha certificado válido, sitemap gerado automaticamente pelo próprio sistema de publicação e oito anos de conteúdo técnico escrito por quem monta janela todo dia. No painel de busca do Google, tudo verde: páginas indexadas, zero erro de cobertura, posição estável em dezenas de termos.

Ele contratou uma consultoria para achar o defeito. A consultoria abriu uma aba nova, digitou o endereço do site dentro de um buscador que quase ninguém da equipe usava e recebeu quatro resultados. Quatro, de um site com trezentas e onze páginas publicadas.

O problema não era o site. Era o cadastro que nunca existiu.

Existe uma diferença silenciosa entre estar indexado e estar indexado em todos os lugares que importam. O painel de busca do Google, o Search Console, é a primeira coisa que qualquer agência instala no Brasil. É gratuito, é conhecido, tem tutorial em português em todo canto. O painel equivalente da Microsoft, o Dados estruturados de produto, é tratado como curiosidade de quem trabalha com mercado americano.

A cadeia que leva um texto seu para dentro da resposta de um assistente passa por índices de busca, e nem todos eles são o do Google. Quando um índice não conhece a sua página, ela não aparece na lista de candidatos, não é lida, não é resumida e não é citada. Não existe brecha de qualidade que resolva ausência de cadastro.

O que a consultoria fez custou quinze minutos e nenhum centavo. Criou a conta, verificou o domínio, enviou o endereço do sitemap e esperou.

Vale entender por que o índice da Microsoft virou peça de infraestrutura da era dos assistentes, e o que exatamente muda quando o seu sitemap chega lá.

Continue lendo ↓

 
 

I  Sinal da Semana

O índice do Bing por trás da resposta do ChatGPT

O cadastro decide se o assistente enxerga o seu site.

A busca embutida no ChatGPT nasceu apoiada no índice do Bing, resultado da parceria entre a OpenAI e a Microsoft anunciada em 2019 e ampliada nos anos seguintes. Quando o assistente decide procurar informação recente antes de responder, ele consulta um índice de páginas web, e o da Microsoft é a base histórica dessa consulta.

O detalhe prático interessa mais que a arquitetura. Um índice é uma lista. Cada página conhecida ocupa uma linha, com o texto dela guardado e organizado para busca rápida. A página que não está na lista não é candidata a nada.

Existem dois caminhos para uma página entrar. O primeiro é o rastreador achar sozinho, seguindo links de outros sites já conhecidos. O segundo é alguém avisar, entregando o mapa do site de bandeja.

O segundo caminho é o que o painel da Microsoft abre. Você prova que o domínio é seu, aponta o endereço do sitemap e a lista inteira de páginas entra na fila de rastreamento de uma vez, sem depender de quantos sites apontam para você.

"O IndexNow é um protocolo simples de aviso para que os buscadores saibam que uma URL e o conteúdo dela foram adicionados, atualizados ou removidos."

Fabrice Canel, IndexNow: Instantly index your web content in search engines, 2021

A frase descreve o mecanismo que a Microsoft acoplou ao painel, e ela explica a assimetria brasileira. Existe um canal direto de aviso, gratuito, aberto desde 2021, e a maioria dos sites por aqui nunca ligou o canal porque nunca abriu a conta que dá acesso a ele.

O cadastro antes da otimização

Nenhum ajuste de texto compensa uma página que o índice desconhece. Cadastro é o degrau zero.

Há um efeito colateral bem-vindo no mesmo painel, e ele é o motivo de o cadastro valer mesmo para quem duvida da relevância do buscador da Microsoft no Brasil. O painel mostra quais páginas foram descobertas, quais foram rastreadas, quais entraram no índice e quais ficaram de fora, com o motivo listado ao lado.

O que o painel mostra que o outro não mostra

O relatório de páginas do painel da Microsoft separa descoberta, rastreamento e indexação em colunas distintas. Uma página descoberta e nunca rastreada aponta problema de fila ou de bloqueio. Uma página rastreada e não indexada aponta conteúdo que o sistema julgou duplicado ou raso.

Essa leitura vale para qualquer índice, inclusive os que você não controla. Página que a Microsoft classificou como duplicada tende a ser vista do mesmo jeito por outros sistemas, porque o critério de fundo é parecido.

O erro de leitura mais comum é medir o buscador pela fatia de mercado dele no navegador do brasileiro. A fatia importa para quem vende clique. Para quem quer ser citado por um assistente, o que importa é qual índice o assistente consulta antes de escrever a resposta.

O trabalho da semana começa por uma pergunta de duas partes. Quantas páginas do seu site o índice da Microsoft conhece hoje, e quantas você publicou.

 
 

II  Case Brasileiro

A fabricante de esquadrias que entrou no índice em nove dias

Trezentas e onze páginas publicadas, quatro conhecidas pelo índice, e nove dias entre o envio do sitemap e a primeira citação em resposta de assistente.

A fabricante de esquadrias de Cachoeirinha vende para lojas de material de construção de toda a serra gaúcha e mantém um catálogo técnico no site desde 2018. Cada linha de produto tem página própria, com medidas, tipos de vidro compatíveis, carga de vento suportada e instruções de instalação.

O acervo é bom o bastante para que instaladores imprimissem as páginas e levassem para a obra. É exatamente o tipo de material que um assistente adora resumir quando alguém pergunta qual perfil aguenta determinada altura de janela.

A auditoria começou com uma contagem simples, feita numa tarde. O resultado ficou assim.

Páginas publicadas no site: 311

Páginas conhecidas pelo índice da Microsoft: 4

Páginas indexadas pelo Google: 297

Contas de painel de busca ativas antes da auditoria: 1

A conta única era a do Google, criada em 2018 pela agência que fez o site e nunca acompanhada por ninguém depois que a agência saiu. O sitemap existia, era atualizado sozinho a cada publicação nova e apontava para as trezentas e onze páginas. Ninguém nunca o entregou a um segundo índice.

O trabalho de correção durou uma tarde e teve quatro movimentos. Criação da conta no painel da Microsoft com o email corporativo. Verificação de propriedade do domínio pelo registro de DNS, o método que não depende de mexer no site. Envio do endereço do sitemap. Ativação do aviso automático de página nova.

No terceiro dia, o painel mostrava duzentas e quarenta páginas descobertas e sessenta e três já rastreadas. No nono dia, duzentas e noventa e oito estavam indexadas. As treze de fora eram páginas de filtro de catálogo que repetiam conteúdo entre si, e o painel dizia exatamente isso na coluna de motivo.

A verificação de resultado foi feita da forma mais direta possível. A equipe repetiu as mesmas seis perguntas de compra que fazia havia meses, das que citavam concorrente e nunca a empresa. Em duas delas a fabricante passou a aparecer entre as fontes citadas, com link para a página de linha de produto correta.

O responsável de marketing mediu o custo do episódio pelo tempo perdido, não pelo dinheiro gasto. Foram três meses procurando defeito técnico num site que não tinha defeito nenhum, enquanto o cadastro que resolvia o problema levava quinze minutos e estava a um formulário de distância.

Ficou uma lição de processo. Nada no painel do Google avisa que existe um segundo índice ignorando você, porque ele mede apenas o próprio quintal.

 
 

III  Checklist da Semana

Quinze minutos para o seu site entrar no índice do Bing

1. Conte suas páginas antes de qualquer coisa. Abra o seu sitemap no navegador, geralmente em seudominio.com.br/sitemap.xml, e veja quantos endereços ele lista. Esse número é a sua meta de indexação e o único parâmetro honesto de comparação depois.

2. Crie a conta no Bing Webmaster Tools com email corporativo. Use um email do próprio domínio, nunca o pessoal de quem está no cargo hoje. Conta em email de ex-funcionário é o motivo mais banal de perder acesso a painel de busca.

3. Importe do Search Console se ele já estiver configurado. O painel oferece importação direta, que traz domínio verificado e sitemaps de uma vez. Quando a importação funciona, o cadastro inteiro termina em cinco minutos e sem tocar no site.

4. Verifique o domínio pelo registro de DNS quando a importação falhar. Adicionar um registro TXT no painel do seu provedor de domínio é o método que não depende de programador, não mexe no código e não quebra quando o site é redesenhado.

5. Envie o endereço completo do sitemap, com https e barra. Sitemap enviado errado fica com status de erro e não gera aviso nenhum. Confira o status no dia seguinte e corrija na hora se aparecer falha de leitura.

6. Ligue o aviso automático de página nova. A maioria dos sistemas de publicação tem plugin ou integração que dispara o aviso a cada texto publicado. Ligado uma vez, ele avisa sozinho para sempre e tira a indexação da fila de sorte.

7. Marque no calendário a conferência do dia dez. Abra o relatório de páginas e compare o total indexado com o número do passo um. Diferença grande com motivo listado é trabalho de conteúdo, diferença sem motivo é fila e resolve com paciência.

8. Refaça as perguntas de compra que você já testou antes. Anote as respostas de hoje, guarde num documento com data e repita o teste no fim do mês. Sem o registro anterior, qualquer melhora vira impressão, e impressão não sustenta decisão de orçamento.

A primeira armadilha é tratar o cadastro como conquista. Ele coloca o seu site na lista de candidatos e não garante citação nenhuma. A página ainda precisa responder a pergunta melhor que a do concorrente que já estava lá dentro.

A segunda é enviar o sitemap e nunca mais abrir o painel. O relatório de motivo de exclusão é a parte mais útil da ferramenta. Duas visitas por mês bastam.

A terceira é esperar movimento em quarenta e oito horas. Rastreamento de site pequeno leva dias, de site grande leva semanas, e a ansiedade costuma produzir mudança em cima de mudança sem que nada tenha sido medido.

O cadastro não é otimização, é permissão de existir na lista de onde saem as respostas.

"Quantas das suas páginas o índice que responde ao assistente conhece agora?"

 
 
Quiz da edição

Na fabricante de esquadrias de Cachoeirinha, quantos dias se passaram entre o envio do sitemap ao painel da Microsoft e a primeira citação numa resposta de assistente?

A3 dias
B9 dias
C15 dias
D21 dias
 
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Até a próxima atualização.

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