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Duzentos e quatro alunos ouvidos em cinco semanas, uma página de quatrocentas palavras, e o número virou a citação padrão para uma pergunta que ninguém tinha medido.
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Uma escola de idiomas de Juiz de Fora atende adultos que estudam à noite, a maioria em busca de promoção no trabalho. A dona percebeu que a pergunta que mais aparecia na recepção nunca aparecia respondida em lugar nenhum com número: quanto tempo leva para conseguir falar em reunião de trabalho em inglês.
A internet responde essa pergunta com faixa genérica de nível de proficiência, tabela importada e promessa de escola. Nada disso mede aluno brasileiro adulto estudando à noite depois do expediente.
A escola tinha uma vantagem que não usava: dois mil e trezentos alunos matriculados desde 2016, com histórico de frequência e nível de entrada registrados no sistema.
O levantamento ficou assim.
Alunos convidados a responder: 340
Alunos que responderam por completo: 204
Semanas de coleta: 5
Perguntas do formulário: 6
Páginas publicadas com o resultado: 1
A coleta foi feita sem ferramenta cara e sem consultoria. Um formulário de seis perguntas, enviado por WhatsApp para a base ativa, com lembrete único depois de dez dias. A recepção perguntava a quem aparecia presencialmente e digitava a resposta na hora.
A pergunta central foi escrita com a redação do aluno, não a do pedagogo. Em quantos meses você se sentiu confortável para falar numa reunião de trabalho em inglês, sem preparar antes o que ia dizer.
O resultado foi de catorze meses na mediana, com diferença grande entre quem estudava duas vezes por semana e quem estudava três. A escola publicou os dois números separados, inclusive o pior, que era o de mais de dois anos para quem faltava demais.
A decisão que fez diferença foi publicar o número desfavorável junto. A dona quis cortar o dado dos faltosos por medo de espantar matrícula. A página saiu com ele, porque um resultado que só tem número bom é folheto, e folheto ninguém cita.
A página foi construída em três blocos. Primeiro a ficha do método, com amostra, período e pergunta literal. Depois o número principal em uma frase. Por último as quebras por frequência de estudo, em lista simples.
Não houve produção de conteúdo em volta. Nada de artigo de dois mil palavras sobre aprendizado de idiomas, nada de vídeo, nada de campanha. Quatrocentas palavras de página e o formulário de coleta.
Setenta dias depois da publicação, a escola aparecia citada em onze de quinze perguntas testadas sobre tempo de aprendizado de inglês para adultos no Brasil. Em oito delas o trecho reproduzido era a frase do número mediano com o período de coleta ao lado.
O efeito colateral foi comercial e imediato. A recepção passou a usar o próprio dado na conversa de matrícula, com a folha impressa em cima do balcão, e a objeção de prazo deixou de ser discussão de opinião entre a vendedora e o candidato.
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